O medo fala mais alto quando não é pronunciado. Vive
entre o silêncio e os gritos da alma na quimera seduzida por protecção e calma.
O silêncio, aclamado, assola os corações como todas
as frases de amor que surgem enquanto soluções. Por vezes é tão atento que se
acomoda em sorrisos tímidos de dor; gritam por libertação em rancor.
O medo é a fuga ao desapego. É a traição e o
foguetão de toda a sua geração. É o dissipador das palavras doces que custam a
soltar e as amargas a travar.
Entre as vozes silenciosas das famílias cuidadosas,
permanece escondido disfarçado de duplo sentido. Clandestino debaixo do tapete,
reaparece visível com o pulsar do relógio de parede; estremece a velha mansão
que se aguenta em pé, estilhaçada, sem fé.
- Já não pertenço a esta casa, não a construí sozinha, nem é metade minha!
- Já não pertenço a esta casa, não a construí sozinha, nem é metade minha!
Lá fora, as grandes barragens que seguram as águas,
não as deixam fluir, confinam os caminhos a seguir. As paredes têm de ruir! As
correntes têm de seguir! (não saltes! Não nades! Não respires! Não mergulhes, para fora!) Fuga ilusória que nos afasta e aproxima da repetição da história! Sê
o alquimista da viagem imprevista. Afunda-te na profundidade, treme com o frio
da liberdade; Sê a forma da tua luz, reflectida pela corrente que te conduz.
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