Perdeu-se a vontade em desviar. O desvio de dizer não, o desvio de escolher não escolher, o desvio de destruir essas escolhas ao criar novas. Substituído pelo conformismo, já não compensa ser original, compensa ser realista. Viver dentro de um espectro ilusório, na crença de que é a realidade, e apenas uma que nos comanda. Poucos se apercebem que essa realidade é fruto da imaginação perversa de outros. Esta, vai sendo moldada por puro capricho, sede de poder e de controlo, ordens de quem vive também controlado pelo medo. Esta fórmula é premiada por quem a aprende e copia, espalhando-se como um virus que não foi feito para matar. Actua em todos os organismos da sociedade para que afecte cada individuo, um por um. Resultando numa sociedade castrada, cega e cheia de  bons pacientes, estes, sobrevivem na ilusão que irão receber o remédio da doença que ajudaram a espalhar. Os outros, os resistentes, fazem pequenas revoltas dentro da caixa que cisma em parecer real, e se teimam em não acreditar nela, esta será imposta à força e com direito a janelas quadriculadas. 
            A questão está em dar valor aos que desviam, seres da imaginação, mas somente aqueles que apenas desviam o seu próprio caminho. 
            Em vez de premiar, quem se perdeu nos caminhos dos outros. Seres que não aprenderam a nadar, nem sabem que não nadam, são assim levados pela corrente, atropelando-se e afogando-se uns aos outros. São seres que sobrevivem, não sabem que não vivem ou não sabem que é possível viver. 

Não é altura de sermos pessimistas, é altura de sermos artistas.

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