“Linguagem que muitas vezes deforma
e altera o que poderiam ser os indícios de uma revelação genuína da parte do
individuo.”[1]
Este pensamento é me bastante próximo e decerto da maioria dos artistas. Identifico-me com esta forma genuína de revelação, existe a necessidade em me manifestar dessa forma em tudo o que faço. A mesma necessidade de pegar em tudo o que me chama a atenção para criar e também o desconforto em explicar porquê, como se isso fosse uma perda de tempo ou talvez por confiar que não merece ser resolvido por meios que possam condicionar o que ainda tem em si para revelar. Nós os artistas somos um pouco virados para dentro mas é também por isso que podemos usufruir genuinamente de qualquer experiência e de alguma forma é também por isso que criamos, ambicionamos partilhar essa experiência. Talvez essa seja a única razão realmente forte para enfrentarmos ser artistas, a reciprocidade que a expressão individual possibilita. Sem olhar a meios fazemos uso das técnicas e materiais que nos auxiliam na criação dessas expressões próprias, que possibilitam quebrar com qualquer constrangimento imposto pelas normas do mundo exterior e, por sua vez, as da linguagem.
[1]Dorfles, Gillo, «elogio da desarmonia».
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