Brumas


Cego é o olho que não sente.

Não tem identidade.
Não tem escolha.
Não tem voz.
Não tem olhos.
Não tem sentidos.
Não tem humanidade.

Não sabe estar só
É por isso tão real
Adaptado e imaculado.

Sente-se Impotente
Não se eleva
Não sabe se mover imóvel
Sabe ser imóvel em movimento.

Um mundo construído
É tão real como o seu ser
Ser mascara, ser sombra,
Ser tempo, ser espaço, 
Levado ao acaso.
Por egos em massa.

Cego é ser-se razoável.

Falso é o Novo. Já é velho no presente.
O presente é inalcançável.
Tudo o que é real é inalcançável.
A realidade está condenada pelo seu nascimento.
Não se pode parar.
Habita fora de si mesma.
Move-se. Move-se apenas.

Está preso no sonho de alguém.
Na viagem de alguém.
Tudo o que resta é ser movido.
Ser sombra.
A miragem de alguém.
Até que se desvanece na paisagem
Perde-se, Confunde-se.
Cumpre o contracto enquanto cidadão
Morre sem ter vivido.
Ponto, linha e ponto.
Final.

Mas Cega é a mente que não se cala.
O silêncio precede a fala
O vazio possibilita o cheio
A fantasia o real
O Ego a essência

O reflexo do espelho,
O duplo aparente,
Confunde e ilumina.
Pode Quebrar fronteiras
Dar espaço ao novo.

Os paradoxos são espelhos de si
Batalhas internas
São Plenitude e Falta
Ser e não ser
Vontade e medo
Sim e não
Ir e voltar
Desligar e despertar
Sair e entrar
São o ponto de partida
São sincronia e eterno retorno.

Não há fim da viagem
Apenas encontros e desencontros
Com os nossos espelhos.

Raquel M.12 de Janeiro de 2014

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