Leio constantemente comentários de pessoas que normalizam o covid19 (apenas um exemplo corrente) ou dos que julgam quem normaliza o covid19, então normalizam o julgamento gratuito, enfim acho que dá para entender que existe um problema entranhado na sociedade chamado de normalização do medo. 

Está tudo zangado, ferido, com medo e deixam que isso comande o nosso dia a dia. 

Quando era criança e experienciava de forma empática o outro, ficava eu também zangada e absolutamente revoltada, cheia de desdém por qualquer adulto em primeira instancia e depois também por todos os outros de outras idades, pensava e concluia precipitadamente que todos os seres humanos eram maus. 

Para mim, a nossa conduta pessoal e gerenciamento de energia sempre foi uma escolha, pelo menos a ser trabalhada, só mais tarde percebi, que essa escolha não é clara para a maioria das pessoas. E que isso não as faz delas serem boas ou más, mas talvez incompletas e desconexas da sua própria condição.

Lido com este pensamento há muitos anos, mas só agora, consigo começar a dar corpo ao que tenho vindo a experienciar, atenção quando falo sobre qualquer assunto, é porque já tenho vindo a experimentar e expressar ambos os lados daquilo que falo hoje. O processo de integração, gere-se pela dança da experiencia das polaridades, sempre o pratiquei, sempre fui consciente disso, embora a minha fragilidade muitas vezes me tenha vergado durante demasiado tempo, embora já não me culpe por isso, sou grata por hoje exercer mais poder de escolha do que alguma vez exerci durante esta caminhada.

Sou também produto da sociedade, flutuando entre a consciência e a inconsciência, permito-me  jogar o jogo, sempre o fiz e talvez não tenha escolha, tal como todos vocês. A verdadeira escolha vem após, quando nos permitimos refletir, curar e integrar novas maneiras de pensar e agir. A hipótese é nos dada a todos os momentos, o que fazes com a tua realidade é da tua responsabilidade e isso tem efeitos poderosos na sociedade, começando pelos núcleos onde te movimentas. A internet alargou esses núcleos como nunca antes experienciado na história da humanidade, pelo menos da que nos foi dada a conhecer.

Escrevo na tentativa de poder acender a luz desta sombra ainda viva em tantos nós, para que possas também reformular a tua própria reflexão e acção sobre assuntos tão importantes e tão mascarados à superfície, que atuam profundamente no nosso inconsciente. Agora pergunto, é o teu dia a dia mais consciente hoje do que era ontem? Ou continuas a viver esta especie de sonho-pesadelo à deriva, à espera de te afundar? Permite-te sentir o medo, para que ele te avise que algo não está certo, mas não deixes que o mesmo te imobilize.

A definição de algo que está mascarado à superfície, chamo de falsa luz, de que tanto a sociedade se alimenta. Formas de pensamento que vivem à frente de todos nós, que são continuamente normalizadas, para que tu as mimetizes, como se fossem originalmente tuas, inerentes ao ser humano. Eu acredito que não são e que a hora da falsa luz começa a chegar ao fim, se fizeres também a tua parte. O nosso sol interno é o verdadeiro guia que nos unirá a todos de volta a casa. Falo simbolicamente muitas das vezes, são as profecias que repito desde que me conheço, também elas vão sendo normalizadas no meu dia a dia, é a minha escolha. Começar a perceber o poder da escolha e aplica-lo é o completo rasgar do maia, é amor próprio e luz verdadeira.

Não existe mal inerente absoluto em nada, pelo menos tento ao máximo partir sempre dessa premissa, o mesmo foi construído ao longo do tempo, ou melhor, ainda não foi verdadeiramente desconstruído por cada um de nós, esse é o mote! A minha proposta é que normalizemos a mudança, a riqueza da novidade ao nos desmancharmos, desmascararmos, só assim evoluiremos enquanto individuo e sociedade, em direção a um presente continuo próspero e verdadeiramente reflexo do nosso coração. Parem de se julgar tanto uns aos outros, venenos que curam mas só curam quando os tomamos nós mesmos, quando aprendemos a controlar a dose, quando sabemos tomar e quando não tomar, dualidade consciente. Parem de brincar com o fogo e tenham consciência ao usá-lo, queres participar na era da comunhão ou da divisão? Escolhe.

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