De alguma forma sempre lidei com um certo complexo de ser mal interpretada, porque tantas vezes o fui. Desisti ao ponto de me afastar de quaisqueres tentativas de comunicar com os outros de uma forma real para mim. Tantas respostas erradas de que fui alvo por apenas pensar e me explicar de forma diferente do esperado. Na minha cabeça sempre fui aquela criança obstinada que se dizias X e a que a resposta certa é xy eu vinha com a teoria que Yx também é válida e tem valor; Y na verdade tem tanto valor como X. Agora aplica esta analogia em tudo o que te vier à cabeça. Claro que tive mil negas, no sistema de educação, por me tentar educar criativamente, nem que fosse por pura rebeldia de agir em contrário. Era um jogo e bem mais estimulante do que ouvir e calar... E quando me faziam perguntas de A ou B? Eu nem abria a boca... C sempre foi a minha opção preferida. Tornou-se o meu mote mas criei uma resistência gigantesca para com tudo à minha volta. Percebi que havia mais resistência do que aliados e fui me calando. Partilhando apenas comigo mesma, as criações e analogias fruto da minha hiperatividade mental, do meu ânimo, pelo conhecimento em descoberta. Sempre odiei história, não havia nada de inventivo. Gostava de saber as invenções da humanidade, os avanços e retrocessos, culturais e intelectuais, mas popem-me com decorar datas e nomes e histórias inventadas e romantizadas que têm tudo para ser uma telenovela mediática. 

Eu não decoro a minha mente, eu quero-a em potência, em constante liberdade para errar e fluir com novidades. 

Hoje batalho mais forte por ter desistido de o partilhar com os outros. O afastamento era real e a minha insatisfação social, gigantesca. Ser criança e explicar isto, não é fácil, quando tentava, diziam que eu ainda não sabia como era a vida, e que tinha de ser... Que eu não podia achar que sabia tudo... hoje tenho 27 anos e é um pouco mais fácil expressar tudo isto que fui sempre guardando, para mim.

 A desconfiança ao outro é talvez a maior sombra que enfrento, o desmistificar da própria desconfiança que mantive comigo, ao me esconder. 

Faço as pazes com isso como posso, falo disto repetitivamente, até deixar de ser importante. Pode ser lido como inconveniente, relevante ou sem valor, mas pelo menos, luto ativamente para que o silêncio deixe de violentar os que se escondem.

Expressar é amar. A minha escolha. 

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